19 de agosto de 2015

À mulher da minha vida #6

Li-te. Quando te olhei nos olhos a primeira vez e percebi toda aquela imensidão de sentimentos, todas as tuas dores e mágoas. Li na tua expressão aquilo que já havias enfrentado e o quanto estavas cansada de lutar. Li o teu sofrimento, e sofri de imediato contigo, por ter lido também no teu olhar o quão maravilhosa eras, o quão sincera e repleta de bondade, o quão não merecias ter esse olhar triste.

Mas sabes, li também, no fundo do teu olhar, uma réstia de esperança, um sinal de que tu, apesar de tudo, ainda acreditavas que algo podia mudar a tua vida e dar-lhe um sentido. Atentei nesta réstia, olhando-te nos olhos, e foi quando me sorriste…

Arrepiei-me ao sentir o teu sorriso naquele momento, enquanto invadia o teu olhar e te lia sem sequer pedir autorização. Apercebi-me então que não precisava de te ler para perceber que eras a criatura mais perfeita que já havia encontrado na minha vida. Tudo em ti era perfeito e, mais que isso, tudo em ti era sincero e cheio de um sentimento puro que me custou a compreender.

Foi então que, voltando a ler-te, me dei conta que tinha que lutar por ti. Tinha que fazer com que aquela réstia de esperança que tinha deslumbrado no fundo do teu olhar ganhasse a minha forma. A minha missão passou então a ser simples: fazer de ti a mais feliz de todas as mulheres, a mais amada, a mais louvada.

E juntos, de mãos dadas num mundo cheio de falsidade, com a tua perfeição e a minha imperfeição, criámos o mais bonito de todos os mundos: aquele em que eu e tu fomos um nós, aquele em que me tornei o mais rico de todos os homens.

11 de agosto de 2015

Lágrimas de um céu despedaçado

O pôr-do-sol ofusca tudo a seu redor, provocando este calmo silêncio que se apodera de todos os emissores de sons. E lá ao fundo, num horizonte que parece tão próximo e está tão longe, o sol desce lentamente para se deixar ocultar pelos montes agora alaranjados pelo clarão.

Este silêncio, tão puro e tão raro, une-lhes as mãos num aperto sincero salpicado pelo suor que um momento assim, tão ímpar, provoca. Ali, naquele “agora” tão curto que parece prolongar-se por prazerosas horas, não há mais ninguém no mundo exceto eles. E por isso, apenas pela ausência de todo o dispensável resto, tudo é estranhamente perfeito.

O sol ainda espreita, envergonhado, por entre o cume do monte mais alto, mas o seu brilho desvanece-se à medida que os segundos passam. Eles, imersos pelo momento e consumidos por aquele sorriso que partilham, sabem que em breve a magia terminará e o mundo voltará a subjugá-los àquele caos barulhento a que diariamente sobrevivem.

É então que, enquanto o sol diz adeus até ao seu nascer na manhã seguinte, do céu começam a cair lágrimas, inicialmente esporádicas e que crescem de intensidade, confundindo-se com aquelas que escorrem agora pelas faces dele e dela… qual sincronia planeada. São lágrimas, tanto umas como as outras, de saudade do silêncio e de ansiedade pelo pôr-do-sol seguinte, onde eles poderão novamente ser felizes daquele forma tão pura e tão reveladora do que o amor deve ser: duas mãos unidas no silêncio, como se apenas de um corpo se tratasse, sem absolutamente nada mais.

Porque no final de contas, tudo é tão, mas tão simples, como um simples pôr-do-sol…

27 de julho de 2015

O que sou não é mais o que era

Longe vão os tempos em que para escrever, não precisava de pensar. As palavras saíam, simplesmente, fluídas e irrefletidas, construindo as cartas, os poemas e os textos que por tanto tempo alimentaram este blogue. Agora é diferente, agora sou diferente.

Lembro-me bem, naqueles tempos em que escrevia todas as noites, de estar em sofrimento até acabar um texto, de sorrir aquando do último ponto e de pensar: “Isto vai mudar alguma coisa, tenho a certeza que vai!”. No final, obviamente que tudo ficava na mesma até ao próximo texto, até à próxima dose de sofrimento concentrado e atroz que me consumia de cada vez que escrevia.

Mas eu acreditava, oh se acreditava, que podia mudar alguma coisa. Acreditava, quando escrevia para alguém, que essa pessoa iria ler e perceber o quanto eu a amava. Acreditava que do outro lado estava alguém à espera das minhas palavras, alguém para quem elas significavam algo.

E tudo isto é só mais um indicativo do quão sonhador fui e do quanto isso condicionou a minha vida. Posso ter perdido dezenas de oportunidades para ser feliz, mas tenho a certeza que todas essas oportunidades me fizeram chegar onde estou hoje. E sou melhor agora… e vou ser melhor amanhã. E tudo aquilo em que potencialmente me vier a tornar será um pouco (ou um muito?) de cada lágrima que escorreu pela minha face. Ainda bem que todas aquelas lágrimas escorreram!

1 de julho de 2015

À mulher da minha vida #5

Sorriso. Sei, mesmo que ainda não te conheça, que será o teu sorriso a primeira coisa que me fará apaixonar por ti. Por o teu sorriso revelar tanto do que és e por tu seres tanto do que eu sonho que sejas. Na primeira vez que te encontrar, o mundo vai cair-me aos pés, ou melhor, o mundo vai aparecer-me à frente. Porque sei, mesmo sem saber, que tu serás o meu mundo desde aquele primeiro sorriso que os teus lábios expressarem na minha presença.

E aos poucos e poucos, sei que esse teu sorriso se vai tornar cada vez mais frequente, assim como o meu de cada vez que te tiver por perto. Sei que iremos sorrir quando nos olharmos, mesmo que ainda não nos tenhamos um ao outro. Sei que não vamos precisar de palavras para sorrir e que os nossos dias valerão tão mais a pena de cada vez que os nossos olhares se cruzarem.

E sei que irei mudar a tua vida, assim como tu mudarás a minha. Sei que tudo passará a ser mais fácil e a fazer mais sentido, sei que nos teremos de uma forma tão pura que a vida, aquela que construirmos juntos, será memorável de ser vivida. Mal posso esperar…

9 de junho de 2015

A morte que não nos separa

Por muito que os dias passem a minha alma esmorece na fraqueza maior de me sentir incapaz de continuar a viver sem a tua presença a meu lado. As horas, essas que contigo passavam tão velozmente, parecem agora ser coordenadas por um conta-gotas demasiado lento para o sofrimento em que sufoco a todo o instante.

Tenho saudades, tantas saudades, daquelas noites em que adormecias nos meus braços e acordavas com os meus beijos suaves na tua face. Tenho saudades daquele teu olhar que tanto revelava, do teu sorriso e do teu silêncio. Tenho saudades tuas…

E têm-se sucedido sem que me dê conta os momentos em que é tanta a minha vontade de partir para junto de ti que dou por mim à beira do meu próprio fim. Ainda hoje, antes de escrever estas palavras e sem fazer ideia de como tal foi acontecer, me encontrei em cima de uma banco com uma corda entrelaçada no pescoço pronta a sugar este ar que respiro sem querer. A única razão para não completar aquele ritual tão merecido foi o relembrar das tuas palavras, das tuas últimas palavras: “Aconteça o que acontecer, sê feliz!”. Se soubesse o que sei hoje nunca teria prometido obedecer a tão disparatado pedido.

Continuo a acordar com a sensação que me sussurras ao ouvido que me amas, como tantas vezes fizeste. Quero acreditar que és mesmo tu, que através do sítio onde me esperas estás a comunicar comigo e a mostrar-me que mesmo sem ti, não estou sozinho. E eu respondo-te, respondo-te sempre. Com o rosto encharcado em lágrimas e o corpo em suor, sussurro-te, não, talvez te grite, o quanto te amo e as saudades que sinto. Pergunto-te o «porquê» de não estares mesmo ali e acabo a suplicar aos céus que me justifiquem a tua ida. Nunca ninguém se dignou a responder-me.

Deixo-te agora, com a promessa de que se não te escrever amanhã é porque me encaminho, sorridente e feliz como era antes de partires, para junto de ti.


Amo-te minha querida

2 de junho de 2015

À mulher da minha vida #4

Será que te preciso mesmo? Será que tu és assim tão essencial para a minha existência? Será que sem ti nunca poderei ser realmente feliz? Tenho vindo a pensar nisto, muito porque tu teimas em não aparecer na minha vida. Talvez a tua função seja esta, apenas esta: seres uma ideia, um conceito que me motiva a escrever e a espelhar o amor que não posso revelar diretamente a ninguém.

E se eu ficar preso a ti? Se ficar para sempre preso à ideia de que um dia vais aparecer e se insistir em fechar as portas a quem me possa fazer feliz, realmente feliz? Acho que é injusto, acho que és injusta. Se não vais mesmo aparecer, e queria tanto que o fizesses, devias dar-me um sinal, fazer-me cair na realidade e deixar-me ir. Devias abrir mão de mim, do meu coração.

Eu sei, a minha impaciência está a fazer-me parecer desesperado. Já tive mais certezas acerca daquilo que te escrevi anteriormente: cada segundo sem ti é menos um segundo até te ter. E se os segundos todos passarem e tu não vieres? E se tu fores só mesmo isto, cartas que eu poderei ler quando estiver só, deixando escorrer as lágrimas que a tua ausência provocará?

Mas não te apresses, se ainda não é o momento de dares um novo sentido à minha vida, não o faças. Eu amo-te e este sentimento não vai desaparecer, quer passem meses quer passem anos. Mas por favor, não me faças esperar muito mais se não planeares aparecer…

26 de maio de 2015

À ex-mulher da minha vida

Por vezes, para sermos capazes de dar um passo em frente, temos que nos debruçar sobre o passado. Afinal, o futuro será sempre uma consequência das nossas ações anteriores e, acima de tudo, aquilo que seremos será sempre uma consequência daquilo que fomos.

É por isso que hoje, espero que só hoje, te vou escrever a ti, ex-mulher da minha vida. E vou-te escrever porque, apesar de saber o quão importante foste e serás sempre para mim, tenho sérias dúvidas de que saibas o quanto tu significaste. Tu foste, durante muito tempo, a mulher da minha vida. Foi só a ti que eu quis a meu lado e foi só contigo que consegui imaginar um futuro.

Posso ter-te tentado mostrar invariavelmente a tua dimensão, repetido inúmeras vezes o que realmente eras para mim, mas terei sempre esta sensação de que não fiz o suficiente. Quando estavas na minha vida, lembro-me de fazer o máximo para que te sentisses a mais especial de todas as mulheres. E sei que o consegui, pelo menos algumas vezes. Mas não poderia tê-lo feito melhor? Não deveria tê-lo feito?

Agora é tarde, eu sei. Seguimos caminhos diferentes, demasiado diferentes. Lá no fundo, sei que fiz tudo o que deveria e que a nossa história foi tal e qual deveria ter sido. Mudaste-me e quero crer que também te mudei. E, mais importante que tudo o resto, fomos felizes. Obrigado.

16 de maio de 2015

À mulher da minha vida #3

Há alguns dias que não te escrevo, mas não é por me teres saído do pensamento. Aliás, tu és já parte de mim, mesmo não estando ainda aqui, portanto é impossível despegar-me de ti. Sabes, tendo vindo a sentir que não tenho muito mais para te dizer. E até acho que é compreensível. Já te disse tanto, já te louvei tanto, já te sonhei tanto. E ao que é que isto me leva? Estas cartas para ti, mulher da minha vida?

Ganhei, e continuo a ganhar a cada dia, uma estranha e irrefletida capacidade de agir que me faz ter orgulho naquilo em que me tornei. Feliz ou infelizmente, isso tirou-me um pouco disto, do poder que um dia as minhas palavras possam ter tido. E é por isto que me sinto assim, como se nada do que eu pudesse escrever possa alterar algo, como se estas palavras mais não sejam que isso mesmo… palavras.

E é por isso que queria agir: queria abraçar-te e sussurrar-te ao ouvido o quanto te amo, queria acariciar-te o rosto e entrelaçar as minhas mãos nas tuas. Queria mexer-te no cabelo, surpreender-te com um carinho, tocar-te. Queria fazer-te rir até as lágrimas te começarem a escorrer pela face, queria fazer-te perder noção das horas, fazer-te feliz.

Também queria pedir-te em namoro, não uma ou duas vezes, mas tantas quantas possam ser. Queria pedir-te em namoro para te mostrar que estar contigo é o que mais quero e para ter a certeza que tu queres o mesmo. Queria que cada beijo que dessemos fosse como o primeiro, em que nos sentíamos como miúdos sem saber o que ia acontecer, sem saber o que viria a seguir. Queria que cada abraço fosse uma paragem no tempo, fosse o nosso ‘porto de abrigo’, fossemos nós.

E por fim, queria escrever a próxima carta à mão. Queria poder dar-te um beijo suave nos lábios e deixar-te a carta ao lado, antes de sair de casa, para que pudesses saber o quanto te amo logo quando acordasses. Quero-te.

7 de maio de 2015

É impossível sonhar-te tanto

Não faz sentido, absolutamente nenhum sentido, que te queira tanto como quero. Não faz sentido que te sonhe tanto, que te precise tanto, que me sejas tanto. E sabes qual é a melhor parte de tudo isto? É que não tem que fazer sentido. Porque na verdade nem tu fazes sentido. Que sentido faz seres assim tão perfeita quanto te imagino? Que sentido faz seres a única criatura assim?

Tu és amor, simplesmente. Sempre ouvi dizer que o amor era indescritível e imensurável. Sempre ouvi dizer que era um sentimento. O que nunca ninguém me disse, e eu finalmente me dei conta, é que amor és tu. És tu esta força que me faz escrever e este sonho que me faz sorrir que nem um parvo na rua. És tudo, mesmo que ainda não o sejas na realidade.

E é por ti, por ti amor, tu que não fazes qualquer sentido, que eu permaneço aqui, sem ter sentido nenhum.