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11 de agosto de 2015

Lágrimas de um céu despedaçado

O pôr-do-sol ofusca tudo a seu redor, provocando este calmo silêncio que se apodera de todos os emissores de sons. E lá ao fundo, num horizonte que parece tão próximo e está tão longe, o sol desce lentamente para se deixar ocultar pelos montes agora alaranjados pelo clarão.

Este silêncio, tão puro e tão raro, une-lhes as mãos num aperto sincero salpicado pelo suor que um momento assim, tão ímpar, provoca. Ali, naquele “agora” tão curto que parece prolongar-se por prazerosas horas, não há mais ninguém no mundo exceto eles. E por isso, apenas pela ausência de todo o dispensável resto, tudo é estranhamente perfeito.

O sol ainda espreita, envergonhado, por entre o cume do monte mais alto, mas o seu brilho desvanece-se à medida que os segundos passam. Eles, imersos pelo momento e consumidos por aquele sorriso que partilham, sabem que em breve a magia terminará e o mundo voltará a subjugá-los àquele caos barulhento a que diariamente sobrevivem.

É então que, enquanto o sol diz adeus até ao seu nascer na manhã seguinte, do céu começam a cair lágrimas, inicialmente esporádicas e que crescem de intensidade, confundindo-se com aquelas que escorrem agora pelas faces dele e dela… qual sincronia planeada. São lágrimas, tanto umas como as outras, de saudade do silêncio e de ansiedade pelo pôr-do-sol seguinte, onde eles poderão novamente ser felizes daquele forma tão pura e tão reveladora do que o amor deve ser: duas mãos unidas no silêncio, como se apenas de um corpo se tratasse, sem absolutamente nada mais.

Porque no final de contas, tudo é tão, mas tão simples, como um simples pôr-do-sol…

22 de março de 2015

Quando chorares, abraça

Há poucas coisas neste mundo, se é que há alguma, que possam valer tanto quanto um abraço, um mero e simples abraço. Abraçar é estar ali, indefeso, nos braços de alguém que indefeso está. É confiar, é fechar os olhos e apertar o corpo que temos como prolongamento do nosso, é parar o relógio e sentir, apenas isso, sentir.

Os abraços não deviam poder ser curtos, porque a magia está no abraço demorado. A magia está naquele abraço que dura 1 minuto e parece demorar uma hora, porque naquele minuto houve tanto, mas tanto. Naquele minuto os problemas desapareceram, as preocupações não existiam e a vida ficou “limitada” àquilo, àquele abraço.

E depois de tudo isto, tenho um pedido a fazer-te. Sim, a ti que estás desse lado a ler-me. A ti que posso ou não conhecer. A vida irá, invariavelmente, tentar fazer-te chorar. Tu vais ser forte e resistir, mas possivelmente chegarás a um momento em que não vais aguentar e vais chorar. Nesse momento, quando estiveres com a face afogada em lágrimas, peço-te que abraces.

Abraça quem amas, abraça quem conheces, abraça desconhecidos. Abraça. Como se não houvesse amanhã, como se a tua vida dependesse disso. E quando parares de chorar porque os ombros de quem abraçaste absorveram as tuas lágrimas, não pares. Porque a vida tentará também fazer chorar quem te rodeia, e aí será a tua vez de disponibilizares ombros para absorverem lágrimas.

E se puderes, mesmo que eu esteja do outro lado da Europa, abraça-me. Se for preciso faz 3000km só mesmo para isso, para me abraçar. Eu prometo-te que estarei aqui, de braços abertos, pronto a parar o tempo por ti, por mim.

20 de março de 2015

A ti, por te ter chorado

Agradeço-te hoje, muito tempo depois da razão que me leva a fazê-lo. Mas não é tarde, nunca o é. Agradeço-te… por te ter chorado. Pelas lágrimas, pelo desespero e pela desolação que me provocaste. Pelas incontáveis vezes em que quis odiar-te e em que me dei conta da impossibilidade de o fazer. Por todas as noites em que adormeci contigo no pensamento.

Agradeço-te também pelas noites em que não adormeci. Pelos dias em que não tive vontade de viver por não te ter a meu lado. Por todos os segundos em que me culpei por não te merecer. Agradeço-te por me teres, inadvertidamente, conduzido ao estado mais auto-destrutivo que já vivi. Por me teres feito sentir perdido e abandonado. Por me teres feito deixar de me sentir a mim mesmo.

Amei-te. Da forma como todo o homem devia amar. Amei-te acima de tudo e todos. E foi um amor tão puro, tão cru, tão imensurável. Eras o meu mundo. Eras tudo o que eu desejava, eras tudo o que eu poderia sonhar. E eu amei-te… e vou amar-te sempre.

Por isso agradeço-te, por não só teres entrado na minha vida como te teres tornado nela. Agradeço-te pelos sorrisos que me provocaste, pelos suspiros apaixonados que me fizeste libertar, pelo tanto que me fizeste sonhar. Agradeço-te por me teres olhado, por me teres dado a oportunidade de te ter junto a mim, por me envolveres no teu abraço.

Guardarei todas as memórias e recordá-las-ei com um sorriso. E sei que tu, mesmo não me amando nem me querendo a teu lado, irás guardá-las e recordá-las da mesma forma. Porque uma história de amor não precisa do “viveram felizes para sempre” para ter um final feliz. Mudaste a minha vida, como nunca ninguém havia feito, e mudaste-a para melhor. Por isso… agradeço-te!